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Esquema sofisticado fez recurso de acordo ir para mãos da família de Mauro Mendes, afirma PF

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Esquema sofisticado fez recurso de acordo ir para mãos da família de Mauro Mendes, afirma PF

Conteúdo/ODOC – A Polícia Federal afirma ter identificado uma sofisticada engenharia financeira que teria sido criada para fazer parte dos R$ 308,1 milhões pagos pelo Governo de Mato Grosso no acordo com a Oi S.A. chegar a empresas e fundos ligados à família do ex-governador Mauro Mendes (União).

A conclusão consta da decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou o cumprimento de mandados na Operação Heritage, deflagrada na manhã desta quinta-feira (6).

Segundo a investigação, metade dos recursos do acordo foi destinada ao Royal Capital FIDC, que passou a integrar uma sucessão de fundos de investimento criada, em tese, para ocultar a movimentação do dinheiro até sua destinação final.

A Polícia Federal sustenta que a estrutura foi composta por diferentes fundos interligados — Royal Capital FIDC, Zurich FIM Crédito Privado, London FIP, 5M Capital FIP e GS Heritage FIP — que investiam sucessivamente entre si, formando uma cadeia financeira destinada a dificultar o rastreamento dos recursos.

Conforme a decisão, o Royal Capital FIDC tinha como único cotista o então advogado Ricardo Gomes de Almeida, atualmente desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Posteriormente, os recursos passaram pelo Zurich FIM Crédito Privado e seguiram para o London FIP, que utilizou parte do dinheiro para adquirir participações societárias na Parecis Bioenergia Ltda.

A investigação aponta que essas participações pertenciam ao 5M Capital FIP, cuja estrutura era controlada pelo GS Heritage FIP.

Segundo a Polícia Federal, figuravam como cotistas do GS Heritage os filhos de Mauro Mendes, Luis Antônio Taveira Mendes, Maria Luiza Taveira Mendes e Ana Carolina Mendes Facures, o que, na avaliação dos investigadores, evidencia que os recursos públicos terminaram convertidos em patrimônio privado ligado à família do ex-governador.

"Houve a constituição célere de fundos com aportes destinados à cobertura de custos operacionais, bem como a utilização de múltiplas camadas de fundos que investiam sucessivamente entre si, sem que os investigadores tenham identificado justificativa econômica para tais operações", registra a decisão.

"Ao final desse percurso, o dinheiro público estava convertido em investimentos privados de baixa liquidez em empresas ligadas à família, tais como a Parecis Bioenergia e a Hotéis Global S.A."

A decisão ainda afirma que a estrutura financeira atribuída ao núcleo ligado à família Mendes se conectava à cadeia de fundos apontada como vinculada ao deputado federal Fábio Garcia (União).

Segundo a PF, as duas estruturas convergiam no Venture Finance FIDC, fundo que teria recebido cerca de R$ 33 milhões e reunia, entre seus cotistas, tanto o GS Heritage FIP quanto o Coliseu FIC FIDC, este ligado ao núcleo investigado envolvendo a família Garcia.

Operação Heritage

A Operação Heritage apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, uso de informações privilegiadas e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional relacionados ao acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a Oi.

Entre os principais alvos estão o ex-governador Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia, o desembargador Ricardo Almeida, o conselheiro do CNJ Ulisses Rabaneda, além de familiares dos dois grupos políticos e empresariais.

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Também foram determinadas quebras de sigilo bancário e fiscal, bloqueio de bens de até R$ 316 milhões, recolhimento de passaportes, proibição de saída do país e proibição de contato entre os investigados.

Fonte: Política – O DOCUMENTO | Confira as principais notícias de Cuiabá, Mato Grosso e região (https://odocumento.com.br/esquema-sofisticado-fez-recurso-de-acordo-ir-para-maos-da-familia-de-mendes-diz-pf/)


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