STF revela “cascata” de fundos ligada a Fábio Garcia e aponta R$ 33 milhões com grupo de Mendes
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Conteúdo/ODOC – A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revela uma complexa estrutura de fundos de investimento que, segundo a Polícia Federal, teria sido utilizada para movimentar recursos do acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A. No centro de uma das estruturas aparece o núcleo ligado ao deputado federal Fábio Garcia (União), enquanto um dos fundos teria funcionado como elo com o grupo ligado ao ex-governador Mauro Mendes.
Segundo a decisão, o núcleo formado por Fábio Garcia estaria associado à chamada “cascata Lotte Word FIDC”. A estrutura envolvia múltiplas camadas de fundos, criadas em curto espaço de tempo e que realizavam investimentos sucessivos entre si. Para os investigadores, não teria sido identificada justificativa econômica para parte dessas operações.
O Lotte Word FIDC recebeu aproximadamente R$ 154 milhões, correspondentes a metade dos valores provenientes do acordo investigado. O fundo tinha como cotista originário Fernando Robério de Borges Garcia, pai de Fábio Garcia. A estrutura também envolvia o Golden Bird FIDC, apontado pela investigação como instrumento de intermediação dos direitos creditórios.
A “cascata” avançava por outros fundos até chegar ao Venture Finance FIDC, antigo 5M, identificado pela PF como ponto de convergência entre os dois núcleos investigados. De um lado estava o GS Heritage FIP, fundo vinculado aos filhos de Mauro Mendes. Do outro, o Coliseu FIC FIDC, que, segundo a investigação, era controlado em última instância por integrantes da família Garcia.
Por meio dessa estrutura, segundo a decisão, houve o recebimento de R$ 33 milhões. O ministro Flávio Dino destaca que o Venture Finance funcionaria, assim, como um ponto de encontro financeiro entre os grupos associados às famílias Mendes e Garcia.
A investigação aponta ainda que o dinheiro teria percorrido sucessivas estruturas até ser convertido em investimentos privados de baixa liquidez em empresas ligadas às famílias investigadas, entre elas a Parecis Bioenergia e a Hotéis Global S.A.
A decisão também chama atenção para a criação dos fundos. Dos 15 veículos analisados, dez foram constituídos já no contexto dos fatos investigados. Segundo o ministro, muitos apresentavam aportes iniciais reduzidos, em alguns casos consumidos pelos próprios custos de constituição e manutenção, circunstância que reforçou a hipótese de que não teriam sido criados para a finalidade tradicional de investimento coletivo, mas para desempenhar funções específicas no fluxo financeiro sob apuração.
A decisão autorizou bloqueios patrimoniais, quebra de sigilos bancário e fiscal e outras medidas contra os investigados. O objetivo é reconstruir o caminho dos recursos, identificar mecanismos de eventual ocultação patrimonial e individualizar os possíveis beneficiários das operações.
Fonte: Política – O DOCUMENTO | Confira as principais notícias de Cuiabá, Mato Grosso e região (https://odocumento.com.br/stf-revela-cascata-de-fundos-ligada-a-fabio-garcia-e-aponta-r-33-milhoes-com-grupo-de-mendes/)
