Wanderley teria gravado vereadores de VG recebendo dinheiro para chantageá-los por votos
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Conteúdo/ODOC – O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) investiga suspeitas de que vereadores de Várzea Grande tenham sido ameaçados com a divulgação de gravações comprometedoras para garantir apoio à reeleição de Wanderley Cerqueira (MDB) à presidência da Câmara Municipal.
As informações constam no inquérito que deu origem à Operação Cathedra Venalis, deflagrada na terça-feira (20), para apurar um suposto esquema de corrupção, compra de votos e organização criminosa envolvendo a eleição da Mesa Diretora do Legislativo.
Conforme a investigação, o escritório de Wanderley teria sido utilizado para registrar clandestinamente encontros com parlamentares, especialmente aqueles em que eram discutidas propostas de pagamento em troca de votos.
Os vídeos seriam posteriormente utilizados como instrumento de chantagem contra os vereadores que aceitassem as ofertas, impedindo que eles retirassem o apoio à recondução do presidente.
Além das gravações, os parlamentares também teriam sido obrigados a assinar cartas de renúncia, que ficariam sob o controle do grupo e poderiam ser utilizadas como forma de pressão política.
As suspeitas também envolvem o vereador Kleberton Feitoza (PSB), apontado como um dos responsáveis por utilizar gravações para constranger outros parlamentares.
A vereadora Rosi Prado (União), inclusive, chegou a registrar um boletim de ocorrência após relatar ameaças de exposição de vídeos e informações que poderiam comprometer sua imagem.
Ameaças e represálias
Um dos depoimentos que reforçaram as suspeitas foi prestado pelo vereador Caio Cordeiro (Novo). Aos investigadores, ele afirmou que passou a sofrer ameaças após se posicionar contra a reeleição de Wanderley.
Segundo Caio, uma das intimidações envolvia a possível divulgação de um vídeo em que ele supostamente apareceria recebendo dinheiro do presidente da Câmara.
O parlamentar explicou que havia feito empréstimos pessoais com Wanderley e levantou a suspeita de que essas transações tivessem sido registradas sem seu conhecimento, para posteriormente serem apresentadas como supostos pagamentos ilícitos.
Caio também relatou que sua decisão de não apoiar o presidente provocou uma série de represálias, incluindo a exoneração de servidores ligados ao seu gabinete e ameaças de exposição pública.
As pressões, segundo ele, teriam atingido até sua atividade profissional como jornalista. O vereador afirmou acreditar que seu afastamento da TV Cidade Verde tenha sido motivado pelo rompimento político com Wanderley.
Outros depoimentos reunidos pelo Gaeco também apontam possíveis perseguições contra parlamentares que deixaram de apoiar o grupo, por meio de demissões de servidores, intimidações e ameaças à reputação.
A operação
A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Além de Wanderley, foram alvos os vereadores Rogerinho da Dakar (PSDB), Raul Curvo (Republicanos), Gisa Barros (Podemos), Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Silva (Republicanos), Denival Galibert (PSB), Miguel Angel (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB) e Emerson Cesar (PP).
A investigação também alcançou a diretora financeira da Câmara, Lorineide Aparecida Trindade Inha, conhecida como Lori, e o secretário legislativo Samir Japonês (PL).
Os vereadores de Cuiabá Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, também figuram entre os investigados.
O Gaeco busca identificar os envolvidos nas supostas negociações de votos, a origem dos recursos utilizados e a possível utilização de ameaças para interferir na escolha da Mesa Diretora.
Fonte: Política – O DOCUMENTO | Confira as principais notícias de Cuiabá, Mato Grosso e região (https://odocumento.com.br/wanderley-teria-gravado-vereadores-de-vg-recebendo-dinheiro-para-chantagea-los-por-votos/)
